Está
escuro, muito escuro, mas mesmo assim quis vir por resta rua escura e sombria.
Entrei na rua normalmente,
caminhei a passos normais, não tinha medo, nem sequer havia motivos para sentir, a rua estava
deserta, acho que fui a única.
Fui a única que talvez quis
brincar com a própria sorte, talvez fosse isso mesmo que eu desejasse e vi a
minha oportunidade nesta rua escura em que o único som que se ouve é o vento a
andar por entre as árvores, e longe ouve-se um simples miar e latidos como resposta.
No entanto outros sons juntaram-se,
comecei a ouvir passos, olhei para trás mas não vi absolutamente nada, voltei a
andar normalmente. Não havia com o que me preocupar.
Contudo ouvi os passos a ficarem
cada vez mais próximos, voltei a olhar para trás mas como anteriormente não vi
nada, porem achei melhor apressar os meus passos.
Comecei a sentir calafrios e
arrepios, tentei manter a calma, mas o medo começou-se a faz sentir, o mesmo
medo que outrora desafiei ao brincar com a minha própria sorte.
Vi que o fim da rua estava próximo e
o medo cada vez mais presente, cada vez mais forte. Corri para a saída porem
tropecei e acabei por cair. Nesta altura o medo já é grande, e os passos estão cada
vez mais próximos de mim.
Tento levantar-me mas não consigo,
os passos param, olho para o lado e vejo uma silhueta mediana, com a cara
escondida. Comecei a desesperar.
Ouço uma gargalhada e volto a olhar e
tudo que vejo é alguém igual a mim. No entanto alguém completamente diferente
também. Os olhos estavam apagados, e na pela notava-se algumas cicatrizes e
tinha uma expressão de raiva, revolta, mas via-se também sofrimento, dor e mágoa.
Não estava a perceber o significado daquilo, não percebia o que alguém tao
parecido comigo estava ali a fazer, e o motivo de me estar a perseguir.
Então ela simplesmente ajuda-me
a levantar e acompanhou-me até ao final da rua, e com um sorriso forçado sussurrou-me:
“ Não nos deixes assim!”
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