sábado, 13 de julho de 2013

Ultimo suspiro

- Vai-te embora, por favor !
- Não, eu vou ficar aqui!
- Vai-te embora!
- Não, eu não te vou deixar sozinho!
- Vai-te embora, eu vou estar horrível depois da secção.
- Não importa eu vou estar aqui contigo, eu prometi e eu vou ficar.
- Mas se tu ficares, vais ver como vou ficar horrível. Vou sair da secção mal disposto, com vontade de vomitar, com sono.
- Já disse não importa eu vou ficar aqui contigo, e nada do que disseres vai fazer-me mudar de ideias.
- Com o tempo e os tratamentos eu vou ficar muito mais magro, o cabelo vai começar a cair, vou parecer um moribundo.
- Não importa, eu vou estar aqui, e para mim sempre vais estar perfeito. Porque eu amo-te mais que tudo.
- Eu também te amo, mas tu não mereces ver isto, não mereces passar por isso.
- Isso é uma decisão minha, e eu já decidi.
- E se eu não sobreviver.
- Não digas isso, tu és forte, e vais lutar por nós.
- Mas e se eu não conseguir?
- Tu vais conseguir, ainda temos muito para viver juntos.
- Se eu não sobreviver…
- Tu vais sobreviver.
- Espera deixa-me acabar. Se eu não sobreviver, vais prometer-me que vais publicar aquilo que tu tanto escreves nesse caderno, eu sei que tu escrever ai tudo aquilo que não consegues dizer, e sei também que o teu sonho é ser escritura. E vais prometer-me também que vais procurar alguém que te faça feliz, alguém que te ame tanto quanto eu.
- Não vou procurar ninguém porque tu vais lutar, vais sobreviver e nós vamos ser felizes juntos.
- Por favor promete-me que vais viver uma vida normal, e que vais ficar apenas com as memórias boas, que vais esquecer este tempo no hospital.
- Não posso prometer isso.
- Por favor promete-me.
- Não eu não posso, porque eu não consigo sequer imaginar uma vida onde tu não faças parte dela.
Ele sorriu fraco, e apertou suavemente as mãos dela. Ela olhou para ele e sorriu, encostando as suas testa, fechando os olhos. De repente ela ouve um barulho de uma das máquinas que o mantinha vivo, desesperada começa a dar morros no peito dele e a gritar, esperava que assim ele reagisse, no entanto era tarde demais ele já se tinha ido.

2 comentários:

kowodzpin disse...

as almas nunca vão, alimentam-nos à noite, tal como as memórias dos amores verdadeiros. são força que nos alimentam esperança de os reencontrar.

Anónimo disse...

as lágrimas vieram ao de cima! :'(