Olho as estrelas da janela do meu quarto com uma chávena de
chocolate quente nas mãos e uma manta fina nas pernas. Não poderia
desejar mais nada depois de um dia cansativo.
Além disso esta uma noite muito agradável, as estrelas brilham
no céu enquanto a lua ilumina a noite.
Bebo um pouco de chocolate quente e olho pela janela, só que
desta vez olho para a rua movimentada, sinto algo nas pernas e ouço
um miar tímido. Pego na minha gatinha e acaricio-lhe a cabeça
enquanto ela enrosca-se no meu peito. A Missy é a minha única
companhia nesta noite fria de Novembro, ela deita-se no meu colo e eu
volto a olhar para a rua. Vejo muitos casais abraçados, outros a
passearem de mãos dadas entre risos e beijos e sinto uma leve
pontada de saudades. Memorias invadem-me a mente, memorias essas que
me fazem recuar no tempo, para um tempo em que eu era com certeza
feliz, onde os braços dele eram o meu sitio preferido e o sorriso
dele o meu porto seguro.
Tínhamos tantos planos, tantos sonhos e expectativas . lembrei-me
das noites em que dormia nos braços dele bem aconchegada e com a
cabeça no seu peito, ou quando ele me embalava protectoramente
quando eu estava com medo. Ele tinha a extrema capacidade de me
acalmar até mesmo com um simples sorriso, ou então de me distrair
até que eu conseguisse esquecer dos problemas, daquilo que me
assustava. Era tao bom poder chegar ao fim do dia e correr para os
seus braços sempre prontos para me receberem protectoramente, ou até
mesmo aquele simples beijo na testa que significava muito mais do que
aparentava, pois através dele era como se me disse-se que tudo ia
ficar bem agora, que ele estava ali comigo e que eu não precisava de
me preocupar com mais nada.
Balancei a cabeça para afastar estas memorias e limpo uma lagrima
que teimou em cair, bebo o resto do chocolate quente e encosto a
cabeça na parede acariciando o pelo da Missy.
Reviver estas lembranças mexem sempre comigo, até porque não o
consigo esquecer apesar de tudo, só me deixou memorias boas e não
era para me deixar assim, no entanto uma fatalidade do destino assim
o quis.
Dou uma ultima olhadela para a lua, que hoje
está incrivelmente cheia e deixo-me levar pelo cansaço e entrego-me
à inconsciência e as lembranças.
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