quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Passado inacabado

Olho as estrelas da janela do meu quarto com uma chávena de chocolate quente nas mãos e uma manta fina nas pernas. Não poderia desejar mais nada depois de um dia cansativo.
Além disso esta uma noite muito agradável, as estrelas brilham no céu enquanto a lua ilumina a noite.
Bebo um pouco de chocolate quente e olho pela janela, só que desta vez olho para a rua movimentada, sinto algo nas pernas e ouço um miar tímido. Pego na minha gatinha e acaricio-lhe a cabeça enquanto ela enrosca-se no meu peito. A Missy é a minha única companhia nesta noite fria de Novembro, ela deita-se no meu colo e eu volto a olhar para a rua. Vejo muitos casais abraçados, outros a passearem de mãos dadas entre risos e beijos e sinto uma leve pontada de saudades. Memorias invadem-me a mente, memorias essas que me fazem recuar no tempo, para um tempo em que eu era com certeza feliz, onde os braços dele eram o meu sitio preferido e o sorriso dele o meu porto seguro.
Tínhamos tantos planos, tantos sonhos e expectativas . lembrei-me das noites em que dormia nos braços dele bem aconchegada e com a cabeça no seu peito, ou quando ele me embalava protectoramente quando eu estava com medo. Ele tinha a extrema capacidade de me acalmar até mesmo com um simples sorriso, ou então de me distrair até que eu conseguisse esquecer dos problemas, daquilo que me assustava. Era tao bom poder chegar ao fim do dia e correr para os seus braços sempre prontos para me receberem protectoramente, ou até mesmo aquele simples beijo na testa que significava muito mais do que aparentava, pois através dele era como se me disse-se que tudo ia ficar bem agora, que ele estava ali comigo e que eu não precisava de me preocupar com mais nada.
Balancei a cabeça para afastar estas memorias e limpo uma lagrima que teimou em cair, bebo o resto do chocolate quente e encosto a cabeça na parede acariciando o pelo da Missy.
Reviver estas lembranças mexem sempre comigo, até porque não o consigo esquecer apesar de tudo, só me deixou memorias boas e não era para me deixar assim, no entanto uma fatalidade do destino assim o quis.
Dou uma ultima olhadela para a lua, que hoje está incrivelmente cheia e deixo-me levar pelo cansaço e entrego-me à inconsciência e as lembranças.
 





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