Caminhei para a porta de embarque decidida a deixar tudo
para trás, talvez esteja a fugir mas no momento preciso de um tempo para mim. Preciso
afastar-me para conseguir esquecer, para superar e seguir em frente.
Ao longe ouso uma voz tão conhecida a chamar-me, procuro
pelo dono da voz mas não o encontro. Volto a ouvir “Nikki! Nikki!” e cada vez
mais acredito que estou a fantasiar, que é tudo uma ilusão, é talvez eu esteja
a ficar louca.
- Nikki! Nikki! Espera, Nikki! – dou um sorriso fraco,
pois a minha mente reproduz a voz dele perfeitamente. Volto a caminhar, até que
sinto alguém a segurar-me no braço. Olho para ver quem é, e vejo o Kellan um
pouco ofegante, talvez eu não estivesse a ficar louco, porque ele parecia tão
real, não podia ser mais uma das minhas ilusões. Ele puxa-me para o seu peito e
abraça-me forte como se eu fosse desaparecer, correspondi ao abraço, afinal
queria-o tanto quanto ele.
Inspirei o cheiro do seu peito para guarda-lo na memória.
Ele afasta-se um pouco e ficamos a olhar um para o outro.
- Nikki, não vás! Por favor.
- E vou ficar para quê?
- Por favor fica, por mim! Por nós! – Ri fracamente,
afinal ele é o motivo para eu ir embora.
- Porque isto agora Kellan? Eu estou a fazer exatamente
aquilo que me pediste, estou a desaparecer da tua vida, estou a deixar-te em
paz, livre.
- Não, não faças isso, eu sei que errei ao pedir-te isso,
…
- Só erraste nisso, asserio, porque eu lembro-me de todas
as vezes que me magoas-te ou me desprezas-te, essas dores ainda estão aqui. –
Disse sem me controlar.
- Eu sei, tenho muito pelo que me desculpar, mas estou
arrependido e estou aqui a suplicar-te que fiques.
- Desculpa, mas não posso. Eu preciso disto, tu precisas
disto.
- Mas eu amo-te! Fica, fica aqui comigo! Eu não sou nada
sem ti, por favor fica, fica por nós. – Fecho os olhos e acaricio-lhe a cara,
se ele soubesse quantas vezes eu sonhei em ouvir estas palavras dele. Ele encostou
as nossas testas, e quando volto a abrir os olhos estávamos tão próximos que
sinto a sua respiração próxima á minha cara.
- Eu também te amo, amo muito. Mas tenho de ir. – Beijo-lhe
demoradamente e pego na minha mala. Volto a caminha para a porta de embarque,
olho para trás e vejo-o com um ar sofrido limpo uma lágrima traiçoeira. E com
uma última olhadela entro no avião, deixando-o para trás.

1 comentário:
aí como adoro isto ;)
Enviar um comentário