quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Decisao precisa


Caminhei para a porta de embarque decidida a deixar tudo para trás, talvez esteja a fugir mas no momento preciso de um tempo para mim. Preciso afastar-me para conseguir esquecer, para superar e seguir em frente.
Ao longe ouso uma voz tão conhecida a chamar-me, procuro pelo dono da voz mas não o encontro. Volto a ouvir “Nikki! Nikki!” e cada vez mais acredito que estou a fantasiar, que é tudo uma ilusão, é talvez eu esteja a ficar louca.
- Nikki! Nikki! Espera, Nikki! – dou um sorriso fraco, pois a minha mente reproduz a voz dele perfeitamente. Volto a caminhar, até que sinto alguém a segurar-me no braço. Olho para ver quem é, e vejo o Kellan um pouco ofegante, talvez eu não estivesse a ficar louco, porque ele parecia tão real, não podia ser mais uma das minhas ilusões. Ele puxa-me para o seu peito e abraça-me forte como se eu fosse desaparecer, correspondi ao abraço, afinal queria-o tanto quanto ele.
Inspirei o cheiro do seu peito para guarda-lo na memória. Ele afasta-se um pouco e ficamos a olhar um para o outro.
- Nikki, não vás! Por favor.
- E vou ficar para quê?
- Por favor fica, por mim! Por nós! – Ri fracamente, afinal ele é o motivo para eu ir embora.
- Porque isto agora Kellan? Eu estou a fazer exatamente aquilo que me pediste, estou a desaparecer da tua vida, estou a deixar-te em paz, livre.
- Não, não faças isso, eu sei que errei ao pedir-te isso, …
- Só erraste nisso, asserio, porque eu lembro-me de todas as vezes que me magoas-te ou me desprezas-te, essas dores ainda estão aqui. – Disse sem me controlar.
- Eu sei, tenho muito pelo que me desculpar, mas estou arrependido e estou aqui a suplicar-te que fiques.
- Desculpa, mas não posso. Eu preciso disto, tu precisas disto.
- Mas eu amo-te! Fica, fica aqui comigo! Eu não sou nada sem ti, por favor fica, fica por nós. – Fecho os olhos e acaricio-lhe a cara, se ele soubesse quantas vezes eu sonhei em ouvir estas palavras dele. Ele encostou as nossas testas, e quando volto a abrir os olhos estávamos tão próximos que sinto a sua respiração próxima á minha cara.
- Eu também te amo, amo muito. Mas tenho de ir. – Beijo-lhe demoradamente e pego na minha mala. Volto a caminha para a porta de embarque, olho para trás e vejo-o com um ar sofrido limpo uma lágrima traiçoeira. E com uma última olhadela entro no avião, deixando-o para trás.  
 


 
 

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